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 Como um outro com um nome semelhante há quase um milénio atrás, D. Sanches I merece ser chamado de “O Povoador”. Ao contrário do monarca, que obteve o merecido cognome por ter concedido cartas de foral a diversas cidades do país, sendo responsável pela povoação das mesmas, D. Sanches I foi responsável por povoar variadíssimas áreas do campo do estádio D. Afonso Henriques que de outra forma não teriam visto ação alguma – começando pela baliza adversária. No entanto, e como qualquer outra figura da realeza de uma nação (se me é permitida a ousadia de considerar o Benfica como a minha pátria), as exibições de Renato Sanches não o isentam de críticas. Pergunto-me quantas vezes se terão ouvido por aí, ao longo da transmissão de ontem, o futebolisticamente típico, e tantas vezes necessário, “Passa a bola, pá!”. Passar a bola, pá, é, de facto, algo que o moço tem de aprender a fazer de vez em quando. Ele e mais uns quantos.

Agora que já se abordou aquele que tem sido o MVP, não só do jogo de ontem, como também de todo um Benfica que tem demonstrado pouca raça, querer e ambição, há espaço para tecer considerações acerca do resto de indivíduos de vermelho (e um de amarelo) que jogaram futebol ontem pelas 18 horas e 30 minutos. Chamar-lhes equipa não é fácil, Benfica ainda menos, e por isso talvez nos fiquemos por tão vaga designação. O Benfica como um grupo coeso, com ideias e organizações capazes de ganhar um jogo pela estratégia, não tem sido mais que uma memória distante, e a qualidade individual só oferece vitórias assim-assim que não deixam os Benfiquistas por esse mundo fora com a sensação de que o jogo poderia ter mais uma horita ou duas. Como comprovado pelo futebol a que se assistiu ontem ao final da tarde, ver um jogo do Benfica terminar já não faz pensar “Que pena, pá, isto ‘tava a ser giro” – pelo menos, não tanto como faz o Benfiquista ir à casa de banho de fininho ver se o nervosismo e a aflição fizeram algum estrago acidental.

Há, no entanto, pontos positivos a ressalvar: Lisandro López continua a fazer exibições consistentes, quase fazendo esquecer o capitão lesionado que cada vez mais se arrisca a regressar ao ativo para ativamente aquecer o banco, e Pizzi, de vez em quando, lá vai mostrando o talento que carrega nos pés, ainda assim não suficiente para justificar a oca aposta de uma qualquer oca cabeça que escolheu dar 14 milhões por ele. Prosseguindo. Foi notório o esforço de Jonas por criar linhas de passe, o esforço de Jiménez por se desmarcar, e embora se louvem os esforços, estes pareceram quase infrutíferos durante a maior parte do jogo. O desenho do ataque do Benfica ainda parece um work in progress, e resta-nos esperar que Rui Vitória encontre a forma ideal de organizar jogadores que já deram mostras do seu potencial e Mitroglou.

O Guimarães-Benfica valeu pelos três pontos e pela aproximação aos lugares mais altos do pódio, mas pecou pela falta do futebol-espetáculo a que o Benfica vinha habituando os sócios. Não se pode ter tudo.

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publicado às 15:49



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