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Não apareceu D. Sebastião, mas apareceu Benfica.

por Papoila Saltitante, em 11.01.16

Por trás do denso nevoeiro que engoliu a Choupana ontem à noite e que ameaçava fazê-lo a qualquer momento durante o princípio da tarde de hoje (e que viria a acontecer breves minutos depois do término de jogo), apareceu um Benfica com garra, com ambição, e com evidente vontade de fazer mais do que deixar a Choupana para trás e despachar o assunto. Mesmo com uma assistência pobre, muito longe da lotação esgotada que se esperava para a noite de ontem, o Benfica soube brilhar com fascinantes exibições individuais e coletivas que já poderiam golear facilmente o Benfica do princípio do campeonato. Quando a maioria das variáveis que envolvem um jogo são motivo de desilusão, desde as condições climatéricas até ao estado do relvado, ver uma equipa dar a volta por cima e conseguir um resultado que faz mais do que só assegurar os três pontos deve ser motivo de alegria. Por aqui, foi com certeza.

O (re)começo do jogo, a partir de um pontapé de canto para o Nacional, poderia ter trazido imediatamente um golo ao Benfica, que saiu num contra-ataque de cortar a respiração, mas que acabou por não surtir efeitos práticos. O primeiro golo chegou anunciado por oportunidades anteriores e foi apontado por Jonas aos 24 minutos, tendo ficado o resultado parado nos 0-1 até ao intervalo. Se o Benfica foi claramente superior durante a primeira parte, o mesmo não se pode dizer durante os primeiros tempos da segunda, em que a pressão que o Nacional acusou culminou num golo, na sequência de uma hesitação tão caricata de Lisandro que até Júlio César demorou a raciocinar que era preciso ir tentar tirar a bola à linha. Não conseguiu, e o Nacional empatava o jogo, deixando um sabor amargo na boca dos Benfiquistas. Depois do golo, o Benfica conseguiu tornar a tomar as rédeas ao jogo, e foi ver sequências de exibições individuais e coletivas fascinantes que trouxeram mais dois golos a Jonas e um a Mitroglou, um remate forte, já dentro da grande área, mas ainda longe da baliza, que deixou mais um aviso do que o grego consegue fazer, sem que o tenha ainda demonstrado.

A nível particular: Lisandro continua a ser um defesa central seguro, sendo determinante em variadas ações defensivas, mas hoje merece um puxão de orelhas pela hesitação que ofereceu um golo (no mínimo bizarro) ao Nacional. Das poucas vezes que Júlio César foi chamado a intervir, destaca-se uma excelente defesa, em resposta a um excelente remate, que poderia ter culminado num excelente golo. Se o que pretendeu ao sair a jogar com a bola nos pés em determinada altura, avançando ao nível dos centrais (valendo-lhe comentários sarcásticos da parte dos comentadores da SportTV), foi dar mais profundidade ao jogo, pareceu-me uma atitude mais arriscada do que poderia ter sido vantajosa, chegando a haver tempo para um ligeiro ataque de coração por causa dos homens mais avançados do Nacional, que não se encontravam longe. Talvez não tenha sido uma altura apropriada para descobrir que a sua verdadeira paixão é ser jogador de campo. Fejsa fez uma exibição quase imaculada, que se poderia ter perdido na sombra de um potencial golo que adviria daquela perda de bola quase ridícula à entrada da área. Felizmente, o golo não aconteceu, e Fejsa consegue sair perdoado e apenas com a memória de mais uma exibição segura, que me vai convencendo que deixar Samaris no banco talvez não seja assim tão má ideia. Jonas, mais uma vez, fez uma exibição excelente, que quase faz julgar que ou os seus 31 anos não passam de uma excelente piada (o que não seria impossível, não tivesse ele nascido no 1º de Abril), ou os 30 já não são sinal de obrigatório declínio na carreira de um futebolista. O que Carcela mostrou hoje em campo torna claro que a vida de Rui Vitória ficará mais difícil, e não mais fácil, quando tiver de volta às suas opções Salvio e Gaitán: Como encaixar tanto talento? (Especialmente considerando que, em momentos de inspiração, Pizzi é também constante e cumpridor, embora continue sem valer 14 milhões). Destaque quase triste para Gonçalo Guedes, que continua sem conseguir demonstrar a qualidade que trazia nos pés nos primeiros jogos em que brilhou esta época e os motivos que lhe valeram a mesma cláusula de rescisão que Nico Gaitán. Por último, há que mencionar André Almeida e Eliseu que, mesmo fazendo jogos quase consistentemente muito abaixo do que se espera para um jogador titular do Benfica, fizeram um cruzamento e um remate, respetivamente, dignos de nota. 

Carrega, Benfica!

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publicado às 16:34


2 comentários

De BENFICA365 a 11.01.2016 às 17:45

E que Benfica apareceu nas altas da Choupana!
À quarta foi de vez, finalmente apareceu a equipa das papoilas saltitantes!

De Papoila Saltitante a 11.01.2016 às 18:58

É verdade! Foi uma exibição excelente, espero que se repitam!

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